D. Pedro II, o imperador poliglota que traduziu “As Mil e Uma Noites” do árabe

O imperador D. Pedro II (1825-1881) ficou conhecido por seu refinamento intelectual. Mesmo sendo sempre considerado brilhante, uma faceta surpreendente marcou sua biografia — o aprendizado de idiomas e a intensa dedicação em traduzir obras clássicas. O imperador brasileiro falava alemão, italiano, espanhol, francês, latim, hebraico e tupi-guarani. Lia grego, árabe, sânscrito e provençal. Não se limitava a traduzir livros, pesquisava obcecadamente termos e palavras. O gosto pelo estudo de línguas teve início na infância, quando aprendeu o inglês e o francês. Mais tarde, incorporou o alemão, o italiano e o espanhol. Já em 1875, o monarca iniciou os estudos das línguas do Oriente Médio, como o árabe, o hebraico e o sânscrito. Entre as obras clássicas que traduziu para o português estão As Mil e uma Noites (do árabe), Hitopadesa (do sânscrito), A Divina Comédia (do toscano), La Araucana (do espanhol) e Il Cinque Maggio (do italiano). D. Pedro II também traduziu poemas de Victor Hugo, Leconte de Lisle, Félix Anvers, Henry Longfellow, John Whittier e Alessandro Manzoni, entre outros. A tradução era apenas um dos hobbies do imperador, que tinha uma curiosidade insaciável por qualquer assunto: ciência, botânica, história, filosofia, literatura, astronomia e novidades tecnológicas. D. Pedro II foi o primeiro astrônomo do Brasil (descobriu uma estrela em seu observatório particular) e montou uma coleção particular de ciências naturais que continha minerais, plantas, aves empalhadas, insetos, peles e crânios. 

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